O Sentido do Sofrimento na Clínica
Na cultura do desempenho, o sofrimento costuma ser visto como uma falha mecânica, algo a ser silenciado ou removido o mais rápido possível. Mas, em quatro décadas de escuta clínica, aprendi que o sofrimento raramente é um erro; ele é, quase sempre, um pedido de tradução.
O sintoma — seja ele a angústia que aperta o peito ou a repetição de escolhas infelizes — é a forma que o psiquismo encontra para dizer algo que a palavra ainda não alcança. Na clínica, não olhamos para o sofrimento como um inimigo a ser abatido, mas como um texto cifrado que precisa de um leitor.
O sofrimento como bússola
Quando um paciente chega ao consultório, ele traz uma dor que parece sem sentido. O trabalho analítico não é dar “dicas de felicidade”, mas ajudar o sujeito a se apropriar da sua própria história.
Ao dar nome ao que dói, o sofrimento deixa de ser um “ruído” paralisante e passa a ser uma bússola. Compreender o sentido do próprio mal-estar é o primeiro passo para deixar de ser refém dele.
A travessia
Não se trata de eliminar o sofrimento da existência humana — tarefa impossível e, talvez, indesejável —, mas de transformar o sofrimento estéril (aquele que apenas consome o sujeito) em um sofrimento fecundo (aquele que gera movimento e vida).
A clínica é o espaço onde essa alquimia acontece. Pela fala, o que era peso vira passagem. Este e outros temas são aprofundados no meu livro, fruto de décadas de escuta clínica. [ Clique aqui para conhecer na Amazon.]